BANDANA MANIA

22.3.17
Que eu sou super fã dos lenços bandana, acho que já não é novidade para ninguém. Adoro a alegria das cores, os desenhos e a versatilidade de os misturar. Na verdade, e sendo bem sincera, tenho fascinação pelas linhas fluídas e sinuosas das cornucópias e é o doodle que me sai quando distraída, rabisco numa folha. Da toalha de mesa de bandanas, sobraram-me tantos lenços, que eu decidi colocar à prova a minha criatividade e usá-los de várias formas possíveis. Fiz almofadas, organizador de sapatos de festa, bolsas para transportar as havaianas e até um saco express, cujo tempo de confecção não leva mais de 5 minutos. Bom, 10, se a pessoa, como eu, resolver fazer as alças em vez de usar um bonito cordão comprado. Como os lenços já vêm com bainha feita, não há o que saber: juntar 2 lenços e abrir uma passagem para as alças. Agora é esperar que a primavera chegue na prática (e não só no calendário) e sair por aí ostentando a estampa que para mim, é a cara da boa disposição!

MÓVEL COM PINTURA POP ART

5.3.17
O "antes" deste móvel, provavelmente dos que tive entre mãos que mais me deu trabalho, mostrei amplamente aqui. Agora, que ele predomina na parede da sala lá de casa, num local talvez ainda não definitivo, olho para ele e me parece que Lichtenstein conseguiu impregnar-lhe uma boa dose de personalidade. Já há algum tempo que queria iniciar-me na pintura Pop Art, gosto do impacto das imagens e das cores fortes utilizadas e gosto ainda mais da ideia de poder transferir estes desenhos para móveis comuns, tirando-os da "mesmice", do marasmo e da monotonia e atirando-os para o patamar da singularidade. Trata-se de irmos mais além do simples restauro e incorporarmos na decoração da casa, obras de artistas que admiramos. Como primeira experiência foi super válida, tem seus pequenos erros, é claro, mas penso que só são percetíveis por mim ou por quem esteja bem familiarizado com a técnica. "Girl in the mirror" foi o quadro de Lichtenstein do qual me apropriei, mas tenho na cabeça uma vontade enorme de transferir para uma cadeira a famosa sopa Campbell de Andy Warhol. E como sou das pessoas que melhor me conhece, e sei que quando começo a imaginar qualquer coisa, dificilmente não concretizo, acho que a cadeira Campbell está com muitas hipóteses de se materializar...






































SOUS LE CIEL DE PARIS

21.2.17
É num primeiro andar "a contar vindo do céu", com parede em pedra, vigas aparentes e porta de vidros coloridos, que mora a Zeyna. Do seu país natal, Marrocos, trouxe o colorido dos tapetes, a típica mesa baixa com bandeja de latão, bules e tajines. Mas mais do que isso, e é o que aprecio na casa de um jovem, trouxe a descontracção e a informalidade. Eu diria, a total liberdade de decorar inerente à pouca idade e ao início de vida. Uma falta de constrangimento que resulta em naturalidade: se não há molduras, as fotos vão diretamente para a parede num desenho abstrato; mesa de cabeceira não precisa existir, se há um pequeno tapete que supre as necessidades; e para que fim roupeiros fechados e sisudos se um carrinho expositor de loja os pode substituir? Na pequena cozinha, tudo à vista e à mão de semear para um quotidiano sem cerimónias. E parece que os objetos ganham o seu lugar com espontaneidade, apesar de na sala, uma planta estar estrategicamente colocada sob a luz generosa da janela. E se olharmos por essa janela? mais telhados sob os céus de Paris.

NOTA: as fotos foram tiradas pela minha filha, com o telemóvel (o que explica a pouca qualidade das imagens), num fim de semana que passou chez Zeyna.

DESFAZER E TORNAR A FAZER #3

14.2.17
Como mulher precavida e organizada que era, minha mãe tinha seu traje para a virada do século, já confeccionado pela modista e cuidadosamente pendurado no closet. Mas o destino trocou-lhe os planos, e a pouco mais de 1 mês para a grande data, ela partiu. Era um conjunto de seda, branco, como manda a tradição, saia travada e camisa com mangas curtas e flores aplicadas, bem ao estilo da minha mãe, que gostava de tecidos finos, bordados e algum brilho. Na altura em que perdi minha mãe, acabei por guardar boa parte das roupas de festa dela. Não sei bem porquê. Nem sequer as iria usar: sou mais alta, mais forte, raramente uso vestidos ou saias e também nunca tive imaginação para transformar roupas. Hoje sei, que numa primeira fase, agarramo-nos ao que era da pessoa para tentarmos permanecer perto dela (ou ela perto de nós) e só mais tarde nos apercebemos que as memórias estão na nossa cabeça e não tanto nas "coisas". Seja como for, estes últimos dias, tive entre as mãos tecidos que não estou habituada a manusear, que escorregam, desfiam mal se toca neles e estão fragilizados pelos anos. Desmanchei a camisa da festa que ela não chegou a ir e uma saia que fazia parte de outro conjunto que minha mãe usou no dia em que eu casei. Sofri com os tecidos que teimavam em se desfazer e em fugir dos meus dedos e pela primeira vez na vida, forrei, alinhavei e chuleei, mas consegui fazer aquilo que tinha imaginado: duas pequenas almofadas delicadas e com um certo requinte. Elegantes. Exatamente como minha mãe.

ALMA DE COLECIONADOR

6.2.17
Quem o conhece, sabe que ele é fora do comum, com gostos requintados, algo extravagantes por vezes, eu diria. E que a sua casa é o espelho disso mesmo: do seu inconformismo, da sua ousadia e da sua sensibilidade. Ele é um viajante e um colecionador por natureza. Aprecia cerâmicas, vidros, bibelôs, bules esmaltados, moveis rebuscados. E só na casa dele é possível misturar candeeiros de cristal com ninfas, porcelanas orientais com faisões empalhados, e tudo isto fazer sentido e não cansar. Pode não ser o meu, nem o seu gosto. E pode até ser o contrário do conceito de casa vivida do qual tanto se fala e apregoa hoje em dia. Mas em tempos de abertura e queda de preconceitos, encanto-me com a excentricidade do Missael, e ele consegue sempre surpreender-me a cada vez que transponho a sua porta, mesmo eu sabendo antecipadamente que do lado de lá espera-me o improvável.


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