PURO ACONCHEGO

9.8.17
Claire é, numa primeira aproximação, uma senhora tradicional e discreta. Mas quando se estreita a convivência, damo-nos conta da pessoa sociável, disponível para quem a procura e cativante que está à nossa frente. E assim é também a casa de 1880 que ela própria remodelou. Num olhar mais distraído, parece-nos clássica, sóbria e igual a tantas outras da região. Mas quando entramos, o que sobressai é um estilo rústico e tão feminino, envolto numa paleta pouco óbvia de tons terra, que filtra a luz e nos dá a sensação de um abraço. A cozinha, pela sua localização central, é literalmente o coração da casa e pela manhã, despertamos com o cheiro a café e pão acabados de fazer que perfuma os ambientes. Louças de família, livros de receitas, pratos pelas paredes, souvenirs deixados pelos viajantes que por lá passam, e detalhes originais da casa, como as saídas de ar quente nos pisos, rodapés altos e molduras trabalhadas das portas e janelas, convivem em harmonia. Na sala de jantar, a peça de eleição da Claire: o antigo pé da máquina de costura atua como móvel de apoio na hora das refeições. Pertencia ao seu pai, que trabalhava nos correios e servia-se da máquina para costurar e remendar os sacos e malas de couro que serviam para transportar a correspondência. Achei curiosa, a história. Assim como achei singular receber a chave de uma casa que não me pertencia, num gesto natural e sem constrangimentos. Única recomendação? deixar os sapatos à porta!

ST. JACOBS

2.8.17
Foram 3 semanas de umas excelentes férias, mas não, não vos vou contar sobre as cidades grandes que visitei, pois essas são muito bem divulgadas em qualquer site de viagens. São cidades enormes, cheias de entretenimento e sítios interessantes, entupidas de turistas e com filas para tudo. Exatamente como eu não gosto. Vou antes falar-vos de St. Jacobs, uma vila rural, situada no Canadá, a uma hora de carro de Toronto. Foi aí que fizemos o turismo que nos dá prazer, sem pressas, sem gente, a pedalar e a descobrir. Importa dizer que na região de St. Jacobs habita uma grande comunidade de Menonitas, que tal como os Amish, são desligados das novas tecnologias, têm hábitos muito conservadores e vivem daquilo que produzem. Também não gostam de ser fotografados (interpretam eles que "a pessoa não deve se sentir vaidosa ao se ver gravada numa imagem"), e é por isso que não vou poder partilhar aqui as crianças lindas que vi a brincarem no jardim de casa ou a ajudarem os pais na lida: os meninos vestidos de calças e suspensórios, camisa branca ou xadrez, chapéu de palha tal qual os pais, as meninas com vestidos compridos, avental e touca branca na cabeça, à semelhança das mães. Assim como guardarei na memória e não na máquina, famílias inteiras deslocando-se nos buggies puxados por cavalos, dirigindo-se ao mercado ou ao meeting point (termo que usam para designar a igreja deles). Cenas que pareciam saídas de um filme de época e que muito me enterneceram. Vão ver aqui algumas fotos entre as centenas que bati, mas as melhores, essas, pelas razões explicadas acima, não pude tirar. Ficaram só na minha retina.

Pedido feito à entrada da cidade: conduza como se os seus filhos vivessem aqui.
























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